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Anos 90
Há em
nível mundial grandes transformações em curso, estas
agem incisivamente sobre o ensino, a escola, os jovens,
as crianças e a família como um todo. Vimos uma
remodelagem do grande capital, no sentido de viabilizar
o aumento das taxas de lucros, através da implementação
do neoliberalismo. Esse sistema se remodela e cresce,
provocando profundas mudanças nos processos e relações
produtivas, no papel do Estado, nas formas de vida,
especialmente vegetais e animais, mas também humanas.
Com o fenômeno da globalização, da restruturação
produtiva, do avanço da engenharia genética, da
eletrônica, da telemática, da robótica, da queda do
socialismo real, das mudanças na sociedade civil, da
terceira revolução industrial (no mundo do trabalho, na
mudança de valores e forma de relações entre as
pessoas), do avanço do poder na mídia, bem como da
fragmentação dos setores populares organizados e das
pastorais sociais, vimos claramente se construindo um
novo padrão de acumulação de riquezas garantindo
hegemonia político-ideológica do capital.
Este processo provocou impacto fundamental em todos
os setores, porém, o maior deles talvez tenha sido a
crise provocada nas instituições; crise de projetos, de
referenciais, tanto de sociedade, quanto de análise de
conjuntura, crise das estratégias e dos papéis das
instituições, crise de concepção e forma de relações
(cresce o individualismo), crise de valores éticos e
morais. Diante da crise percebe-se o avanço de valores
liberais como a competição e o consumismo. A era do
"Deus dinheiro sobrepondo-se ao Deus da vida e da
libertação".
Na educação entrou em crise o papel que a escola
vinha tendo historicamente, de formação
humano-profissional e deu-se lugar ao incentivo de
empresas educacionais. Porém, a chama da libertação e a
vontade de vencer dos educadores do IMD e os resultados
do processo, historicamente acumulados pela instituição,
evidenciaram a retomada e a necessidade de qualificar a
proposta pedagógica libertadora, no sentido de que
pudesse continuar sendo a grande orientadora do processo
pedagógico, despertando para a construção da
solidariedade, da autonomia e cidadania. Diante disso,
em 1997 deu-se início há um grande processo reflexivo,
envolvendo professores,funcionários, alunos, pais e a
comunidade como um todo para a retomada da proposta
pedagógica.
Uma série de inovações faz parte desse período no
IMD. A direção da Escola passa a ser leiga, pela 1ª vez.
Há uma busca constante pela unidade pedagógica, faz-se a
revisão metodológica a partir das teorias que vem ao
encontro da proposta libertadora, acontece a construção
coletiva de uma metodologia mais apropriada ao novo
papel da Escola.
Em função dos princípios de integração e
coletividade, foi excluída a premiação do FAPEC
(Festival Artístico de Poesia Encenação e Canto – dele
participam todas os alunos) por avaliar que a mesma
provocava a competição e a desintegração da comunidade
escolar.
Em 1990 houve uma grande mudança estrutural, foram
abertas séries iniciais no turno da tarde, por
solicitação da comunidade local, e já nos primeiros dias
de matrícula os pais da comunidade faziam fila para
garantir vaga. A escola era bem conceituada devido à
seriedade e qualidade humana de sua proposta.
A escola deixa de receber recursos (bolsas de
estudos) do Estado e do Município, isso provoca uma
certa dificuldade e conseqüentemente a mudança do perfil
de seu público. A escola se torna de caráter privado,
porém suas mensalidades continuam com um valor baixo,
revelando a manutenção de seus princípios. O IMD não é
uma empresa de comércio, é sim uma instituição educativa
que quer contribuir para o processo social.
Em 1998, a Escola implementou a modalidade de
atividades optativas, chamadas Oficinas (teatro, artes,
dança, capoeira, computação...). Estas visam a
integração, envolvem o aluno naquilo que gosta,
desenvolvendo diversas habilidades para o crescimento
integral do sujeito, além possibilitar um contato maior
deste com a Escola. Houve a introdução da Filosofia na
Educação Infantil e séries iniciais do Ensino
Fundamental, estendendo-se gradativamente em todas as
séries. A Língua Inglesa foi introduzida desde o nível
III da Educação Infantil. A Escola passou a ser
difundida nos meios de comunicação rádios e jornais, bem
como em materiais de divulgação. Surgiu o Programa
semanal de rádio "IMD em foco" e, também o jornal
bimestral da Escola com o mesmo nome. Ambos tem como
objetivo primeiro valorizar o trabalho dos alunos e da
comunidade iemedense, desenvolvendo diversas
habilidades, para a conquista da autonomia e cidadania.
O IMD investe na reforma do Laboratório de Ciências
e Laboratório de Informática para a prática concreta de
experiências na construção do conhecimento científico.
Os alunos do Ensino Médios têm manhãs de
formação, envolvendo a disciplina do Ensino Religioso e
procurando fazer um estudo de caráter interdisciplinar.
Quanto às crianças, adolescente e jovens do IMD,
observou-se uma mudança no perfil, referente à
diversidade econômica, de princípios e valores. O tempo
dos filhos com os pais vai diminuindo, a
responsabilidade de educação de princípios e valores
fica cada mais a cargo da Escola. Porém, o contato e a
parceria com as famílias continua sendo objetivo
permanente da escola, pois entende que essa
característica qualifica muito o trabalho pedagógico.
Além disso, o IMD investe permanentemente na
formação do Educador, promovendo reuniões pedagógicas em
que reelabora e ressignifica a sua pedagógica,
adequando-a, também, às novas orientações legais (LDB).
Busca-se a unidade de trabalho através da seleção e
inserção de temas transversais bimestrais. |